Na manhã de quarta-feira, o presidente brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, o ex-presidente Fernando Xavier, e o presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz Lopes, participaram de audiência pública na Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados em Brasília, atendendo convite apresentado pelo deputado Eduardo Sciarra (Democratas-PR). “Os brasileiros estão preocupados com a radicalização do discurso do presidente eleito do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, querendo rever o acordo binacional em relação a Usina de Itaipu, convidamos o presidente da Itaipu e da Eletrobras para tirar dúvidas dos parlamentares a respeito deste problema”, explicou Sciarra. Jorge Samek fez um histórico do acordo binacional que teve início na década 70 com questões de fronteira entre Brasil e Paraguai que nunca foram resolvidas, falou sobre a capacidade instalada da usina, 14 mil MW e a receita anual de 3.4 bilhões de dólares/ano. “Na época da construção da usina aconteceram duas crises mundiais de petróleo, o dinheiro para a obra foi todo emprestado no mercado, os juros eram altos e o endividamento da Itaipu foi grande”, comentou Samek dizendo que o custo final da usina ficou na casa dos 27 bilhões de dólares. Os ex-presidentes da Itaipu, Fernando Xavier e Euclides Scalco, coordenaram processos de reestruturação da dívida da usina. “Dos 3.4 bilhões de dólares de receita ano, 66% são usados para o pagamento da dívida, 17% com royalties e 17% com despesas operacionais. A dívida total da Itaipu estará quitada em 2022”, explicou Samek. Xavier salientou que no período de 1 ano e 4 meses em que foi presidente ele fez algumas reformas estruturais e tirou do custo da empresa algo em torno de 500 milhões de dólares com a privatização do hospital, de escolas e a transferência de um núcleo habitacional com 15 mil casas para a prefeitura de Foz do Iguaçu. A preocupação dos parlamentares é com o discurso do novo presidente do Paraguai que prega a revisão do tratado, “não podemos admitir que se cogite a possibilidade de revisão do tratado de Itaipu, apesar da diplomacia brasileira abrir essa possibilidade, o Congresso Brasileiro não vai admitir isso, mesmo porque essa revisão, como os discursos recentes no Paraguai querem, vai causar impacto negativo para o consumidor brasileiro de energia”, salientou Sciarra. Samek e o presidente da Eletrobrás, Muniz Lopes, disseram que não existe, por parte do governo brasileiro, qualquer estudo ou possibilidade de revisão do acordo binacional.
|