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A maior reforma que pode ocorrer é a do povo

Terça, 07 Novembro 2017 11:10

Opinião é da presidente da Comissão Eleitoral da OAB/Paraná Carla Karpstein

Um dos debates mais intensos nas tentativas de uma reforma política ampla situa-se no financiamento de campanhas. O abastecimento do chamado caixa 2, um dos combustíveis do escândalo que impulsiona as investigações e as condenações da Lava Jato, está no centro dos debates. No entanto, manter uma democracia tem custo elevado ao País e os recursos para as campanhas é um assunto que precisa ser tratado e considerado, diz a presidente da Comissão Eleitoral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Subseção Paraná, Carla Karpstein.

Há pensadores e especialistas que não aprovam o financiamento público e outros que condenam a doação privada às campanhas, mas então qual é o melhor caminho? Como pacificar um tema tão importante em um regime democrático como o do Brasil?, questionou Carla segunda-feira à noite, na Acic, durante o congresso que tratou sobre as perspectivas jurídicas da reforma política. Ninguém ou muito poucos seriam contra as doações privadas, ou mesmo públicas, caso esse dinheiro retornasse, por meio dos mandatos legislativos e executivos, em avanços a todo o conjunto nacional brasileiro. Mas, infelizmente, não é isso o que historicamente se vê no País.

O cerne do debate, de acordo com Carla Karpstein, é cultural. E tudo está associado à corrupção que, independentemente do tamanho e da gravidade, pode ser encontrada nos mais diversos segmentos e nichos da vida nacional. Muitos dos que cobram lisura e seriedade na parte de cima são os mesmos que furam o sinal, que jogam papel e lixo na rua, cometem pequenos deslizes, e avançam o direito do outro sem se importar com isso ou sem entender que isso seja algum tipo de desvirtuamento de caráter ou conduta. E a solução para as correções desses problemas todos não é fácil, reconhece a advogada. Todavia, há alguns movimentos que passam a dar mais esperança aos que querem e merecem ter um Brasil melhor.

Sem se esquecer que os políticos são o reflexo da sociedade, um grupo de empresários criou o Renova, um grupo que passa a preparar uma próxima geração de políticos. Na teoria, eles se comprometem a zelar pelos valores mais caros e éticos comuns em sociedades desenvolvidas. O Partido Novo, por sua vez, decidiu não aceitar qualquer espécie de doação às suas campanhas, nem dinheiro público nem de empresas. A sustentação da sigla vem por meio de contribuições feitas por seus próprios membros. “São demonstrações de um novo começo. De trabalhos que, embora ainda bastante modestos, podem crescer e contribuir para ajudar a mudar as coisas”, diz Carla Karpstein.

Povo

A maior reforma que o Brasil poderia fazer, de acordo com a presidente da Comissão Eleitoral da OAB/Paraná, é a do seu povo. Cada um, devidamente educado e no melhor do seu livre-arbítrio, deve assumir sua responsabilidade como eleitor e como cidadão, porque os políticos que temos e que estão nas câmaras, nas prefeituras, nas assembleias e em todas as esferas do governo não ocorrem por brotamento. Eles têm origem no povo, em suas respectivas comunidades. Em países avançados existem comissões de reforma política permanentes. Na Suécia, por exemplo, parlamentares não têm salários e muitos deles vão ao trabalho de bicicleta, sem regalia de carro oficial nem motorista.

Outro desafio que o Brasil precisa enfrentar, e que também não será fácil vencer, é a disparidade que há entre os que já cumprem cargos eletivos e aqueles que desejam iniciar na política. Um dos limitadores, conforme Carla, é que tudo o que existe, foi e é aprovado tem uma função específica: manter quem já está no poder. Há ainda outras situações que mostram o grau de desvirtuamento da política partidária nacional. Exemplo é deixar a uma pessoa comum (presidentes dos diretórios nacionais) a atribuição de decidir como usar o dinheiro público liberado por meio do fundo partidário. “Estamos sequestrados por um grupo de partidos que administram grande parte do dinheiro público do povo brasileiro. O Brasil só muda, se o cidadão, se cada um de nós verdadeiramente mudar para melhor”, afirma Carla Karpstein.

Legenda: Carla Karpstein é presidente da Comissão Eleitoral

Crédito: Assessoria