O volume de golpes e falsificações cresceu tanto nos últimos anos no Brasil que toda ferramenta destinada a proteger as empresas de golpes e fraudes deve ser sempre muito bem-vinda. "Ser metódico, observador e prestar atenção nos detalhes é o melhor caminho para evitar dor de cabeça e, principalmente, desfalques no caixa da empresa", orienta o advogado e perito criminal Arnaldo Ferreira dos Santos, que esteve na noite de quarta-feira em Cascavel a convite do SCPC da Acic, o Serviço Central de Proteção ao Crédito.
A tecnologia, o acesso fácil à informação, as dificuldades de ganhar dinheiro e o excesso de pessoas descuidadas formam o combustÃvel que alimenta uma facção criminosa numerosa e bem-sucedida. "O empresário precisa treinar constantemente sua equipe, adotar todos os mecanismos possÃveis para se proteger e também ter uma dose de sorte, porque há muitos interessados em ganhar dinheiro fácil e levar uma vida boa sem muito esforço ou problemas de consciência", ressaltou.
Uma das dicas de Arnaldo, que é autor de livros e consultor de bancos e de grandes redes de informações sobre crédito no PaÃs, é jamais baixar a guarda em função da aparência ou da oratória de um cliente. "Todos precisam ser consultados. O documento deve ser atentamente checado e, em caso de dúvida, pedir outro com fotografia ou formular perguntas que comumente não são feitas, como por exemplo pedir o nome da mãe ou do pai, que obrigatoriamente estão na carteira de identidade".
Mudar o paradigma de que uma pessoa "não tinha cara de suspeito" é imprescindÃvel para evitar danos financeiros à empresa, segundo Arnaldo. Todas as medidas de checagem de informações precisam ser discretas e não-ofensivas ao potencial cliente, porque do contrário a empresa está sujeita a processos por danos morais e que podem custar muito caro. O advogado informou também que o Banco Central publicou portaria em que pune bancos em caso da abertura de contas fraudulentas e das quais o titular trouxer danos à empresa.
Em uma era com tantos suportes tecnológicos e facilidades na obtenção de documentos falsos, o olhar, a sensibilidade e a intuição se transformam em ferramentas poderosas. Qualquer atitude sutil que, por um motivo ou outro possa desestabilizar o falsário, é muito útil, afirma Arnaldo. "O fato, por exemplo, de sair da visão do comprador e ao vê-lo a distância insinuar que há algum problema desarticula o golpista, que geralmente não espera explicações para empreender fuga. Se ficar, é só dizer, como desculpa, que o gerente não está para aprovar o cadastro".
Dicas
O especialista deu informações também que ajudam a identificar o falsário ou golpista. É bom ficar atento ao cliente que não se preocupa com as especificações do produto, que procura por caixas muito próximas da saÃda ou que alega assinatura diferente do documento por algum problema na mão. Deve despertar inquietação também o olhar nervoso, a pressa excessiva, a mão trêmula ou a tentativa demasiada de se mostrar amigável.
Observar a data de nascimento e a fotografia estampada no documento, que pode aparentar muito menos ou muito mais idade do que deveria, é dica preciosa para evitar problemas. É comum encontrar carteiras de identidade com perfurações feitas com agulha, fotografias sobrepostas e impressões com cores diferentes e falhas de alinhamento. Também não é aceitável deixar passar uma carteira de identidade com foto colorida com emissão anterior a 1974, ressaltou o especialista.
Arnaldo deu um exemplo de como é fácil enganar as autoridades com falsificações bem feitas: "Estive em três estados norte-americanos depois do atentado de 11 de setembro com passaporte falso e ninguém me parou por isso". Ele fez o teste para uma reportagem especial de uma emissora de televisão brasileira. "Se lá, com todo aquele rigor não ocorreu nada, imagine aqui", afirmou o perito.
As fraudes mais comuns em cheques podem ser localizadas com o desencontro da linha louca e perceber que uma folha não se dobra totalmente. Esse cuidado inibe receber uma folha "construÃda" de outras duas. A colagem de duas partes faz com que ela perda a flexibilidade. A ausência de microsserrilha na extremidade esquerda também é indicativo de que aquele cheque é clonado.
TÃtulo inglório
O Brasil coleciona mais um tÃtulo pouco louvável: é o campeão mundial em fraudes com cartão de crédito. A maioria ocorre quando o titular passa o cartão a um terceiro depois prova que não contraiu uma determinada dÃvida. Há casos também em que pessoas se identificam como do banco ou rede do cartão indicando um gasto suspeito e, na euforia de comprovar que não foi ele, o titular acaba por ceder informações confidenciais, inclusive a senha.
No caso de evitar prejuÃzos com a perda do cartão, uma das dicas é escrever na face dele que o consumidor exija, na sua utilização, a apresentação da identidade. Uma das dicas para inibir o uso de CPF´s clonados está em observar o nono dÃgito do número do cartão. Ele identifica o Estado de procedência do titular: 1 vale para o DF, GO, MT, MS e TO; 2 para PA, AM, AC, RO, RR e AP; 3 CE, PI e MA; 4 PE, AL, PB e RN; 5 BA e SE; 6 MG; 7 RJ e ES; 8 SP; 9 PR e SC e 0 - RS.
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Golpes e fraudes: Detalhes ajudam evitar prejuÃzos a empresas








