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Comércio Exterior Notícias China é maior cliente e será o maior investidor no Brasil

China é maior cliente e será o maior investidor no Brasil

Sex, 30 de Julho de 2010 15:18

kevinNão há como ficar imune às sensações que provoca a análise prática dos indicadores econômicos da China. Os números parecem surreais. O país que há 25 anos tinha PIB inferior ao do Brasil caminha a passos largos para se consolidar como a maior potência do mundo. Empresários e líderes dos mais diversos setores organizados de Cascavel e da região puderam conhecer ainda mais sobre a atualidade e as ambições da República Popular da China na noite de quinta-feira, na Acic, durante intercâmbio entre Brasil, China e Paraguai.
O diretor da Câmara de Comércio Exterior Brasil/China, Kevin Tang, informou sobre as relações bilaterais entre os dois países e das projeções de desenvolvimento para ambos. A China já é o maior parceiro comercial do Brasil e será também o maior investir, garantiu Tang, que fez uma breve contextualização histórica de uma das nações mais antigas e importantes do mundo. A República Popular da China foi fundada em 1949 e apenas em 1974 ela iniciou relações diplomáticas com o Brasil.
O começo das grandes transformações políticas e principalmente econômicas do país foi em 1978, com as reformas promovidas por um governo que queria fazer da China uma potência econômica. Em 2001 ela passou a integrar a Organização Mundial do Comércio. Com US$ 36 bilhões movimentados, o país virou em 2009 o maior cliente dos produtos brasileiros. A área territorial da China é um milhão de quilômetros quadrados maior que a do Brasil, mas lá vivem 1,3 bilhão de habitantes, contra 194 milhões daqui.
Embora altamente competitiva e empreendedora, a China tem apenas um pequeno percentual de seu território como agricultável. Por isso, grãos e carnes brasileiras compõem um dos principais itens da pauta de importação do país. Há 25 anos, o Produto Interno Bruto chinês era inferior ao do Brasil. Em 2009 ele chegou a US$ 4,7 trilhões, contra US$ 1,5 trilhão do Brasil e para 2010 a projeção é, respectivamente, de US$ 5,3 trilhões contra US$ 1,9 trilhão.
A renda per capita brasileira ainda é maior que a chinesa, mas os números estão mudando. Em 1991, o trabalhador chinês recebia US$ 353 por ano e agora chega a US$ 4 mil. No Brasil ela gira na casa de US$ 6 mil - perto de R$ 11,5 mil. A indústria responde por 50% do PIB chinês, enquanto que os serviços somam 40% e a agricultura por apenas 11%. Aqui, o agronegócio é dono de mais de um terço das riquezas. Com um real é possível comprar 3,8 Yuans. Manter a moeda com baixa cotação é motivo de reclamação de outras economias, porque torna os produtos chineses ainda mais atraentes para o mercado.

kevin1Outro dado mostra o tamanho do apetite do dragão oriental: o comércio da China sozinha é o dobro do que alcançam os outros integrantes dos Brics, sigla para os emergentes Brasil, Rússia, Índia e China. O ritmo médio de crescimento chinês tem-se mantido em 10% desde 1994, enquanto aqui ele é de 3%. As reservas do Banco Central brasileiro atingem apenas 10% dos US$ 2,2 trilhões do da China, comentou Kevin Tang, para informar que enquanto a dívida dúvida daqui é de 47% lá não atinge a marca dos 18%. A carga tributária é menos da metade da brasileira e os encargos trabalhistas são 55% inferiores.
Mas apesar dessas diferenças, o saldo comercial entre os dois países é positivo em US$ 4 bilhões para o Brasil. Os principais destinos dos produtos chineses são os Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul e Alemanha e os principais importantes são Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Estados Unidos e Alemanha. A China é a principal compradora de itens brasileiros, enquanto que maiores mercados de importação são Estados Unidos, China e Argentina.
Tang informou que a pauta de exportação da China para o Brasil é diversificada, embora a liderança seja de produtos eletrônicos. Na outra via é o contrário. Ela é concentrada em alguns poucos itens - soja, minério de ferro, petróleo, celulose, minério aglomerado e óleo de soja. O volume de investimentos estrangeiros em território chinês espanta. A média é de US$ 55 bilhões por ano. Foram cerca de US$ 1 trilhão nas últimas duas décadas.

O maior investidor
Kevin Tang usa números para afirmar que a China em pouco tempo vai se consolidar como o maior investidor no Brasil. A média nos últimos oito anos foi de modestos US$ 40 milhões a cada 12 meses e somente em 2010 vai chegar a R$ 12 bilhões. A China oferece como atrativos competitividade, estabilidade macroeconômica, escala de produção, tecnologia e também qualidade. Entretanto tem problemas, como carência de energia, séria degradação ambiental, desigualdades social e regional e mudança no modelo exportador de consumo interno.
A maior empresa chinesa, o ICBC, é também o maior banco e a maior companhia do mundo. Kevin traçou outros comparativos entre China e Brasil com a intenção de mostrar que os empresários precisam pressionar o governo brasileiro a investir ainda mais em áreas estratégicas para também se consolidar como grande potência. A China tem 720 milhões de celulares, contra 174 milhões daqui; tem 78 mil quilômetros de linhas férreas contra 29 mil; tem 3 milhões de estradas pavimentadas contra 2 milhões; tem 110 mil quilômetros de vias navegáveis contra 50 mil e conta com 328 aeroportos contra 205 do Brasil.

 
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