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Dinheiro de apreensões pode financiar obras da PF

Sexta, 13 Abril 2018 17:53

O dinheiro encontrado em apreensões e operações da Polícia Federal, como a Lava Jato, poderá ser empregado na construção da futura sede da delegacia da PF em Cascavel. A informação é do delegado-chefe Marco Smith e foi dada na noite de quinta-feira durante encontro com empresários na Acic. Smith falou também de algumas operações e atribuições da Polícia Federal que são pouco conhecidas pelo público.

Advogado com especialização em direito penal, Marco Smith é chefe de uma unidade da PF com responsabilidade por atender 66 dos 399 municípios paranaenses. A Polícia Federal de Cascavel é uma das sete em atividade no Estado. Sobre a nova sede, o delegado informou que já existe a área, o projeto está pronto e os trabalhos só não começaram ainda porque não há dinheiro na esfera federal para esse tipo de empreendimento. Mas em conversa com seus superiores, Marco Smith busca alternativas para a construção do prédio, que terá sete mil metros quadrados.

Um dos caminhos que poderão frutificar em alguns meses é o da liberação da parte de dinheiro localizado em apreensões e operações diversas com a participação da Polícia Federal. Apenas a Lava Jato tem R$ 500 milhões apreendidos. “Estou otimista e penso que as obras possam ser iniciadas ainda neste ano. Se dependermos do orçamento do governo federal, a construção da futura sede poderá demorar muitos anos”, afirmou o delegado para uma plateia, além de empresários, formada por representantes das mais diversas entidades produtivas.

 

Frentes

Smith informou sobre as principais frentes de atuação da Polícia Federal: combate ao crime, integração ao Sistema Brasileiro de Inteligência e autorização de compra e renovação de portes de arma, além de segurança privada, autorização de aquisição e manuseio de produtos químicos – acima de um litro de ácido, por exemplo, já é necessária liberação pela PF. Um dos pontos mais sensíveis da delegacia em Cascavel é a emissão de passaporte, mas esse é um problema que em algumas semanas estará praticamente solucionado. Em função do baixo efetivo, são emitidos 40 passaportes por dia e, mesmo assim, hoje não há data de agendamento – em Foz, são 42 por dia.

A emissão do passaporte é feita pela Casa da Moeda, enquanto que cabe à Polícia Federal apenas a coleta e repasse das informações. Hoje o limite máximo de envio de dados é de 48 por dia, mas será elevado para 96 em breve. No entanto, para casos de emergência, a PF faz atendimentos especiais nas tardes das sextas-feiras. Marco Smith falou também sobre porte de arma e da importância estratégica de Cascavel no monitoramento da fronteira. “Foz já não tem o mesmo peso em contrabando que tinha há dez anos. Por isso, Cascavel passou a ser mais importante, já que permite melhor controle de rodovias e está longe o bastante da fronteira para que as operações não sejam contaminadas”.

Smith deu ainda informações sobre a Operação Lava Jato. “Não fossem os apoios da opinião pública e da mídia, certamente ela não existiria mais. Não há dúvidas de que ela tem sido fundamental no combate à corrupção”, afirmou. O delegado também é a favor da adoção de novos mecanismos para desafogar pátios de veículos apreendidos. Um deles, que depende apenas da anuência dos juízes, é o leilão antecipado dos bens, para devolução, se for o caso em dinheiro aos donos em vez de um automóvel sucateado. Ele também respondeu a questionamentos dos presentes. O presidente da Acic, Edson José de Vasconcelos, ressaltou o decisivo papel da Polícia Federal na área da segurança pública.